Fim do programa Ciências sem Fronteiras e mais dois programas estão ameaçados  

Posted by ORN on April 22, 2017 in Posts | Short Link

Está faltando dinheiro para dois programas na área de educação. O programa Ciências sem Fronteiras que levou quase 100 mil universitários para estudar fora do país acabou, e o dinheiro para os professores que fazem as olimpíadas de matemática, encolheu.

No caso do Ciências sem fronteiras, o governo diz que o programa deixou dívidas e os beneficiados aproveitaram sim essa experiência no exterior, mas deixaram de mostrar resultados que repercutissem nas universidades aqui no Brasil.

O estudante de Mecatrônica da Universidade Brasília (UnB) Thiago Pereira, ainda tinha esperanças de conseguir uma bolsa do programa Ciências sem Fronteiras para poder estudar na Alemanha. “Eu estava me preparando, cheguei a estudar o idioma do país que eu gostaria de ir estudar. Primeiramente seria uma experiência de vida muito boa por passar um ano sozinho, tendo que se virar em outra cultura”, diz o estudante.

O Ciências sem Fronteiras no formato original, acabou mesmo. Os últimos bolsistas foram selecionados em 2014 e ainda tem estudante fora do país recebendo a bolsa. Mas não haverá novas seleções para alunos de ensino superior.

Lukas Machado da UnB, é um dos 93 mil bolsistas que participou do programa em 2014 e foi para os Estados Unidos. Ele estuda Engenharia da Computação, e lamentou o encerramento do Ciências sem fronteiras. Diz que gostou muito da experiência, que aprendeu como o método de ensino diferente. “Eu cheguei por exemplo a trabalhar no próprio campus e isso somou muito positivamente. Aprendi bastante coisa, foi muito bom”, diz Lukas.

O Ministério da Educação diz que o Ciências sem Fronteiras deixou dívidas elevadas, e que uma avaliação feita no ano passado, mostrou que o custo para manter os bolsistas lá fora era muito alto. Em 2015, o governo investiu R$ 3 bilhões e R$ 700 milhões no programa, o mesmo valor usado na merenda escolar de 39 milhões de alunos.

Para Abílio Baeta, presidente da agência CAPES ligada ao Ministério da Educação, que seleciona e distribui a maioria das bolsas bancadas pelo governo federal, diz que o intercambio para a pós-graduação esta mantido. Este ano serão 5.100 bolsas, para doutorado, pós-doutorado e professores visitantes no exterior. Ele explica que 70% das bolsas do programa Ciências sem Fronteiras, foram para alunos de graduação, o que certamente foi enriquecedor para os alunos, mas segundo ele, nem tanto para o país.

“A volta desses meninos não impactou a prática de ensino das nossas universidades, e com isso não foi multiplicada para melhorar o ensino em geral da graduação do Brasil nas áreas que tinham sido selecionadas”, explicou Baeta.

Outros dois programas ligados ao Ministério da Educação e voltados para alunos da rede pública, estão ameaçados por falta de recursos. O OBMEP na Escola, que seleciona e prepara alunos da educação básica para participarem das olimpíadas de matemática, e o Programa de Iniciação Cientifica Jr. – PIC, que premia os 6.500 medalhistas das olimpíadas, com bolsas e aulas junto a professores universitários. O Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA, é responsável pelos dois programas, diz que precisa de R$ 6 milhões para levar os programas adiante esse ano, e que até agora o governo garantiu apenas R$ 2 milhões.

 

Confira também: Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA.

 

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