Congresso Nacional discute liberar fabricação de carros movidos a diesel

Posted by ORN on April 14, 2017 in Posts | Short Link

Enquanto o mundo avança em direção a produção de combustíveis considerados limpos e ecologicamente corretos, o congresso brasileiro analisa um projeto de lei que propõe liberar a comercialização de carros a diesel no país. O Brasil proíbe a comercialização de veículos leves com motor diesel desde 1976, a lei nasceu junto com o ProÁlcool, programa do governo que consistia na substituição em larga escala dos combustíveis derivados do petróleo devido a emissão de materiais prejudiciais a saúde humana. Atualmente no Brasil, o diesel é utilizado apenas por veículos pesados, transporte coletivo de pessoas e cargas e por veículos offroad com tração 4×4 e reduzida.

Em 2016, durante reunião de cúpula do C40, grupo que reúne as maiores cidades do planeta em prol de ações para reduzir danos causados ao meio ambiente, cidades como Paris, Madri, Atenas e Cidade do México firmaram compromisso de remover os veículos a diesel de suas ruas até 2025 na tentativa de melhorar a qualidade do ar para seus cidadãos, para tanto, os líderes pretendem investir em novas alternativas para a mobilidade urbana, dando prioridade aos pedestres, ciclistas e veículos com baixa emissão de gases poluentes.

Estima-se que carros movidos a diesel sejam responsáveis por 30% das emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) e 65% do material particulado extrafino (PM2,5), alguns dos poluentes mais nocivos à saúde humana. Na Europa, por exemplo, carros movidos a diesel representam cerca de metade do total, eles emitem em média sete vezes mais NOx em condições normais de uso do que os limites de certificação. Caso a lei seja aprovada, as emissões de dióxido de carbono (CO2) poderiam aumentar de 5% a 22% até o ano de 2050.

Apoiadores do projeto de lei (PL 1.013/2011) defendem que através do avanço tecnológico o diesel tornou-se uma energia menos poluente e poderá trazer benefícios econômicos para o país. Luso Ventura membro do grupo Aprove Diesel, organização que trabalha em prol da conscientização da importância econômica do diesel, afirma que o diesel S10 tem baixo teor de enxofre em sua composição, “a redução de enxofre, que é o principal responsável pela emissão de material particulado, foi expressiva. Em 20 anos passou de 13.000 ppm (partes por milhão) para 10 ppm”.

Hoje, temos disponível no mercado o diesel S-10 e o S-500 que são menos poluentes que seus antecessores, o S-50 e o S1800. A letra S simboliza o elemento químico enxofre que corrói as partes metálicas do motor e lança na atmosfera substâncias poluentes que contribuem para efeitos indesejados ao meio ambiente.

Outro ponto a ser observado é que a liberação afetará a política tributária incidente sobre o combustível, trazendo impactos negativos no transporte de cargas e de passageiros. De acordo com parecer apresentados pelo Ministério de Minas e Energia (MME), “a tributação incidente sobre os preços do diesel só se justifica pelo caráter social desse combustível, transporte de cargas e de passageiros em grande quantidade”.

 

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